Ainda sobre a CPMF:
Estive debatendo com meu chefe à respeito e a opinião dele me pareceu interessante:
Todos (ou a maioria) dos brasileiros paga CPMF - do traficante que movimenta uma conta qualquer no banco (sim, pq acredito que eles PRECISEM de uma conta) ao grande empresário -todos têm lá o seu porcentinho sendo tirado dos seus rendimentos.
Muito bem.
Então, seria um imposto praticamente (digo "praticamente" pois ainda existem os colchões) impossível de se sonegar, certo? Certo.
A arrecadação é gigantesca e tem feito gregos e troianos relutarem sobre a sua extinção. Portanto, que este fosse o ÚNICO imposto a ser pago!
Pensem mais ou menos no mecanismo:
- eu faço um negócio, produzo coisas, gero empregos e pago ICMS, por exemplo. Já tenho uma fatia mordida do que eu ganharia. Aí, quando deposito a grana, mais uma e quando vou comprar um outro negócio, outra.
Caramba!
Me extorquiram 3 vezes!!! E esse dinheiro foi parar sei-lá-onde!
Além disso, controlar 10 bancos é MUITO mais fácil do que controlar sei-lá-quantos milhões de brasileiros que sonegam impostos, certo?!
Ah....
Mas e os "pobres" fiscais?? Aqueles, que vão à sua empresa, procurar "pelo em ovo" próximo ao Natal, para abocanhar mais uma fatiazinha... Ah... Eles não poderiam ficar desamparados, né?
"Temos que pensar em todo mundo..."
N O T!
Um comentário:
Flor, a conta é outra e vou tentar colocar em palavras bem simples:
A cada instância (mão de cada um) que o dinheiro relativo a um bem ou serviço passa, é cobrada uma vez a CPMF. Logo o consumidor final é quem arca com toda a carga desse imposto.
Em outras palavras: o fazendeiro que planta algodão paga CPMF ao usa r o dinheiro recebido na venda de seu algodão. Para não ter sua margem de lucro diminuída ele embuti o valor desse imposto no preço de venda (algodão+CPMF). O empresário da tecelagem que comprou o algodão+CPMF vende o tecido produzido para uma confecção e para não ter sua margem diminuída embuti no preço do tecido a CPMF paga ao usar o dinheiro da venda do (tecido+CPMF+CPMF do algodão). O fulano da confecção, amigão seu, estilista, paga CPMF quando vende suas roupas para as lojas e faz o mesmo com a CPMF. O preço de venda da roupa chega a ser roupa+CPMF+CPMF do tecido+CPMF do algodão. A confecção vende para uma lojinha de uma cidade do interior de SP que acaba comprando a roupinha por um preço MUITO maior do que o real por haver cobrança sobre cobrança do mesmo imposto. E quem se lasca?? Quem compra roupa, ou seja, todo mundo.
Isso a grosso modo, sem entrar em detalhes... Esse exemplo é de uma cadeia de produção com 5 pontos. Imagine isso na produção de produtos que precisam de embalagem específica, transporte, armazenagem, mão de obra especializada etc etc.
Essa semana o presidente da empresa onde trabalho lançou um dado impressioante em um debate com outros empresários. O custo (salário+impostos) de um trabalhador no Brasil já é o dobro de um trabalhador na Argentina. Em um mundo pequeno como o nosso, não é surpresa que as empresas se mudem para lá ou outros lugares em que o ambiente seja menos inóspito para os negócios.
Enquanto isso os trouxas aqui ficam bancando os programas sociais e terão que engolir mais alguns anos de CPMF.
Beijo para a Orquídea Érica e Jasmin Juliana.
Cacto Caçoísta
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