segunda-feira, 5 de março de 2007

Be the change...

Pesquisando sobre toda essa história, achei no blog da Soninha(http://blogdasoninha.folha.blog.uol.com.br/) um texto que resumia bem a nossa sensação, vejam alguns trechos:

"Penso no menino e no monte de tragédias que às vezes nem damos atenção como a moça que perdeu o filho e morreu depois de percorrer quatro hospitais e não conseguir um só atendimento decente (e que ainda teria ouvido de uma médica: "Na hora de fazer neném você não sabia que ia doer?”). As chacinas em que os mortos são só um algarismo, nada mais, como a de “três jovens baleados na Zona Norte de São Paulo”. Não têm nome, família, história, só têm “possíveis ligações com o tráfico de drogas”, na avaliação invariável das autoridades “competentes”.
Eu continuo vivendo, fazendo minhas coisas, indo a reuniões, recebendo as pessoas, gravando programas, mas me debatendo contra a sensação de futilidade, impotência, derrotismo. Fico remoendo causas e maneiras de combatê-las, e ao mesmo tempo em que tudo aparece com uma clareza incrível, minha cabeça continua embaralhada.
Algumas não dependem de dinheiro nenhum, nem de lei alguma; são os usos e costumes. O modo de olhar, andar na rua, agir no cotidiano. A mínima e indispensável contribuição de cada um para nos bestializar menos e humanizar mais.
Porque o mal é contagioso, mas as boas condutas também são.
Algumas idéias e hábitos se espalham com assombrosa velocidade e alcance – piadas, mentiras, boatos, jogos, correntes pela internet, vídeos infames. O que até outro dia era ficção hoje faz parte do cotidiano, como o telefone celular. É muito delírio de insone acreditar que se pode espalhar também a cultura do respeito à VIDA a partir de mil e um gestos do dia-a-dia, que independem de governos e políticas? Vida como algo sagrado, precioso, prioritário? O país não será feliz e seguro sem mudanças substanciais que independem da mera disposição dos indivíduos. Muita coisa precisa mudar em larga escala. Mas as pessoas têm poder sobre seus gestos, seus modos, suas inter-relações sociais. Pais, professores, estudantes, médicos, enfermeiros, motoristas, patrões, empregados, porteiros, vizinhos, políticos, jornalistas, todos: façamos do respeito a norma. É o mínimo que se pode fazer para começar.

E abaixo, um comentário muito bom; precisamos voltar a ser crianças, questionar, questionar, questionar...


[Andre] [cantinhodosocial.blig.com.br] [São Paulo - SP] À medida em que vamos crescendo, vamos nos acostumando com o mundo. E perdemos aquela curiosidade que toda criança tem de saber como funcionam as coisas, de saber porque as coisas são assim e não de outro jeito. A criança percebe o quão estranho o mundo é. E questiona o porquê de não fazermos diferente. Mas os adultos, ao contrário, estão imersos no seu dia a dia, estão acostumados a fazer da maneira que aprenderam. Apenas remoem suas indignações contidas. A nós, cabe não deixar morrer esta criança dentro de cada um. Temos que deixar ela falar. Falar de esperança. Falar que podemos sim fazer as coisas de uma maneira diferente, de uma maneira melhor. Falar que as coisas não precisam ser como são.

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